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Saiba como escolher a mochila e encontrar hospedagem barata. Viagem desse tipo exige planejamento, mas turista deve ser flexível.

Viajar gastando pouco, com bagagem leve, sem um itinerário muito definido e procurando conhecer a cultura e os moradores de cada lugar. Essas características atraem muitos viajantes para o turismo de mochilão, também conhecido como turismo “backpacker”.

Mas, ao contrário do que pode parecer, não basta colocar a mochila nas costas e sair pelo mundo sem nenhum planejamento. “Quanto mais informações a pessoa tiver, maior é o aprendizado, e maiores são as chances de economizar e de não se meter em roubadas”, afirma Douglas Sawaki.
Douglas e sua mulher, Júlia Sawaki, gostam de viajar “mochilando”: eles rodaram oito países da Ásia durante cinco meses, em 2007, e depois disso tiveram outras experiências mais curtas por destinos como Espanha, Inglaterra, Itália e Argentina.

Graduados em Turismo, os dois resolveram estudar essa modalidade de viagem. Escreveram artigos acadêmicos sobre o tema, criaram o blog Turismo Backpacker e abriram uma empresa de consultoria para destinos que querem atrair esse tipo de viajante.

Com base nas dicas de Douglas e Júlia , o G1 preparou um guia para quem quer se aventurar numa viagem de mochilão pela primeira vez.

1) Faça um roteiro da viagem
- O primeiro passo é escolher as cidades por onde vai passar e, em seguida, pesquisar a melhor forma de se mover entre elas. Não se esqueça de considerar o tempo de deslocamento na programação, pois alguns trechos podem durar o dia inteiro.

- Não faça uma maratona de cidades. Assim você não vai conhecer direito nenhum lugar e vai passar o dia preocupado em não perder o trem, o ônibus ou o voo para o próximo destino.

- Pesquise em guias ou na internet os atrativos de cada cidade. Se preferir, anote mais detalhes sobre eles (horário de funcionamento, localização, preço, tempo necessário para a visita etc.). Vale fazer um cronograma básico de visitação, para não correr o risco de acumular muitos atrativos no mesmo dia, tornando a viagem uma maratona. Mas reserve horários livres para imprevistos e também para descansar – e não se prenda completamente a esse planejamento.
- Depois de escolher os destinos-chave, explore as outras possibilidades. Veja se vale a pena incluir no roteiro locais interessantes no meio do caminho entre uma cidade e outra.
- Se o voo tiver uma escala ou conexão, considere fazer um “stopover”, isto é, uma parada programada (marcada na passagem aérea) na cidade da escala/conexão, que pode durar alguns dias e costuma ser gratuita ou bem barata.

- Se não quiser viajar sozinho, escolha bem a companhia. Vocês vão conviver 24 horas por dia por vários dias seguidos. Se a relação não for boa, pode arruinar a viagem.
2) Cuide da documentação
- Veja a documentação necessária para o visto de entrada, vacinas obrigatórias, seguro de viagem e validade do passaporte. Anote os contatos importantes como o telefone do consulado brasileiro no país de destino.

- Faça cópia digital do passaporte, cartões, passagens aéreas e reservas e envie tudo ao seu e-mail. Em caso de perda, furto ou roubo, as informações estarão guardadas para fazer B.O., segunda via ou o que for necessário.

3) Planeje seus gastos
- Anote em uma planilha os custos aproximados de hospedagem, alimentação, ingressos, passeios, diversão, compras e transporte. Faça uma estimativa média de gasto por dia e vá controlando durante a viagem para não faltar dinheiro.

- Fique atento ao câmbio da moeda antes da viagem, pois alguns países possuem taxa de câmbio estável, mas em outros a taxa varia muito de um dia para o outro. Analise a tendência de variação para não errar no orçamento.

- Considere os prós e contras de cada forma de levar dinheiro, baseado na facilidade de trocá-lo em cada destino e também na sua maneira de gerenciar o orçamento. As opções são cartão de débito, cartão de crédito, dinheiro em espécie, traveler cheques e cartão de viagem pré-carregado.

4) Escolha a sua mochila e não a sobrecarregue
- Prefira uma mochila que tenha estrutura fixa nas costas, alças confortáveis e reguláveis e barrigueira (a alça que se prende na cintura). Isso trará mais conforto. Quando o zíper tem acesso frontal, além do acesso superior, a bagagem fica mais organizada e as coisas podem ser encontradas com mais facilidade.

- O tamanho ideal é aquele que traga conforto a cada viajante. Mas lembre-se de que quanto menor for a mochila, melhor será, pois a tendência é colocarmos mais itens enquanto há espaço sobrando, aumentando assim o peso.

- Com a mesma bagagem de uma viagem de sete dias é possível viajar por um ano, lavando as roupas sempre que necessário e comprando novas peças quando for preciso. Escolha roupas leves e fáceis de lavar e secar, para utilizar menos as lavanderias e carregar menos peso. Roupas específicas para atividades outdoor são mais práticas.
- Pesquise o clima dos destinos na época em que vai viajar e tente escolher itens multifuncionais. É melhor, por exemplo, levar duas blusas finas e usar uma sobre a outra em vez de uma mais grossa, que ocupa muito espaço e poderá ser utilizada menos vezes.
- Quando mais peso, menos diversão. Por isso, não leve nada que não seja realmente necessário.

5) Economize na hospedagem
- Muitos mochileiros preferem ir reservando a hospedagem à medida que a viagem vai acontecendo, para ter a liberdade de ficar mais em um determinado destino, por exemplo. Só não se esqueça de conferir se é alta temporada ou se há algum grande evento no local. Nesses casos, é melhor já ter reserva prévia.
- A “hospedagem colaborativa” é a opção mais barata (na verdade, é gratuita). Em sites como Couchsurfing e Hospitality Club, os viajantes se cadastram e se conectam com pessoas que moram nos destinos turísticos. Estes oferecem estadia gratuita na própria casa, que pode ser um lugar no sofá, dividindo o quarto ou até um quarto privativo.

- Os albergues da juventude, ou hostels, oferecem camas em quartos coletivos e são mais econômicos do que os hotéis. Além disso, na maioria das vezes, têm um ambiente favorável para conhecer pessoas de diversos países.

- Há também sites como o Airbnb, que oferece reserva para residências de pessoas comuns. A estadia é paga, mas normalmente é mais barata, pois são os moradores que estipulam o valor e não há custos operacionais como nos hotéis.

- Existem opções boas e baratas que não estão em guias ou em sites, mas geralmente se concentram na mesma região dos hotéis que são mais divulgados. Se não tiver reserva prévia, vale procurar por eles quando chegar ao destino.
6) Veja se vale a pena optar pelo transporte local
- Alguns mochileiros têm mais tempo, consideram que o deslocamento faz parte da experiência da viagem e querem conhecer melhor o lugar. Por isso, optam por usar ônibus, trem ou outro transporte típico da população. Em alguns países essa experiência é uma verdadeira imersão cultural. Em outros lugares talvez essa experiência seja irrelevante, por isso o avião pode ser a melhor opção.
7) Coma o que os moradores comem
- Restaurantes menos turísticos, onde a própria população come, costumam ser mais baratos.
- Quando for escolher um restaurante simples, escolha aquele que tiver mais movimento. A comida costuma ser melhor e mais fresca do que os restaurantes do mesmo nível, mas que estão vazios.

- Se você gosta de gastronomia, vale pesquisar antes da viagem quais são os pratos típicos e os melhores restaurantes que os servem. É interessante prová-los pelo menos uma vez, mesmo que o restaurante seja um pouco acima do orçamento.

- Barraquinhas de rua são muito econômicas e oferecem comidas locais. Mas lembre-se de que, mesmo sendo muito comuns em algumas cidades, é preciso ter cuidado com a higiene delas.

8) Vá além dos pontos turísticos tradicionais
- Além dos museus e monumentos mais famosos, tente ir a outros lugares menos turísticos. Os blogs de viagens costumam indicar essas descobertas, mas pode-se também perguntar a moradores locais e outros viajantes que encontrar pelo caminho, sempre tendo cuidado com a própria segurança ao seguir as dicas.

- Mercados públicos, de preferência os não turísticos, são um bom lugar para vivenciar o dia a dia dos habitantes, fora das relações comerciais entre prestadores de serviços turísticos e turistas. Praças e parques também são boas opções para observar o cotidiano.

- Andar sem rumo definido, prestando atenção aos detalhes, ajuda a entender o cotidiano de uma determinada cidade. Mas é sempre bom saber quais são os lugares de risco ou impróprios para turistas.
9) Tente conhecer gente nova
- Saber algumas palavras no idioma local é bem visto e ajuda a iniciar uma conversa com os moradores. Mas não é preciso ser fluente em outro idioma: a simpatia pode compensar a dificuldade de comunicação.
- Deixe a timidez de lado e não se isole. É preciso um pouco de iniciativa para se aproximar dos moradores e de outros viajantes.

- Se você não sabe muitas curiosidades do Brasil ou de sua região, é bom pesquisar para ter assunto, pois geralmente os estrangeiros fazem muitas perguntas sobre o nosso país.

- Considere levar pequenos presentes do Brasil, como cartão postal. Pode ser uma maneira simpática de presentear pessoas que são marcantes durante a viagem.

10) Preze pela sua segurança
- Proteja a sua mochila: coloque cadeados em todos os zíperes e leve um para o locker. Considere levar uma corrente (de bicicleta) para prender a mochila em algo fixo, se necessário.

- Evite os golpes: onde há turistas, normalmente há pessoas pensando em ganhar dinheiro. Pesquise sobre os golpes comuns contra os viajantes.

Piscina de plástico, kit de remédios, roupas, comida, produtos de higiene, brinquedos. Quando viajam, Jackeline Mota e seu marido, Rômulo Elizardo, enchem o bagageiro do carro com itens que serão usados por um passageiro exigente: Maquiavel, um buldogue francês de um ano e meio.

O casal, que mora no Rio de Janeiro, gosta de viajar para cidades turísticas do estado com o cachorro. Juntos, os três já estiveram em Paraty, Visconde de Mauá, Cabo Frio e Búzios. “Somos muito apegados a ele. E é muito bom a gente poder se divertir juntos. Ele adora”, diz Jackeline.

A escolha do destino leva em conta a receptividade para animais. Eles, inclusive, já deixaram de ir a alguns lugares por não encontrar a hospedagem adequada.

“Preferimos procurar outro lugar ou ficar no Rio com ele”, afirma ela.

O roteiro da viagem também sofre adaptações para que o cão possa participar dos passeios. Em Paraty, por exemplo, Jackeline e Rômulo preferiram não ir a museus para privilegiar atividades ao ar livre.

No trajeto de carro, Maquiavel usa um cinto de segurança especial, que funciona como uma espécie de adaptador para o cinto comum. No hotel, dorme na caminha que viaja junto com ele e que é colocada no quarto dos donos.

Durante os passeios, ele corre, se refresca na piscina de plástico e está aprendendo até a deslizar em um skate especial para cães.

Para Jackeline, as concessões que precisam ser feitas durante a estadia compensam. “Tem gente que deixa de ter cachorro porque gosta de viajar, mas isso não é um empecilho”, afirma.

Adaptações

A rotina de Jackeline e Rômulo em suas viagens com Maquiavel se repete com outras pessoas que gostam de viajar junto com seus animais.

Da escolha do destino ao roteiro turístico, passando pela bagagem que é preciso levar, é preciso adaptar os planos à presença do pet. “Sempre muda. Tem que ficar mais em casa ou no hotel, não voltar muito tarde da rua. É como se fosse uma criança”, compara o empresário Hilas Al Khoure.

Ele e sua mulher, a publicitária Fernanda Galvão, gostam de viajar com Chimichurri, um Lulu da Pomerânia que tem a mesma idade de Maquiavel, um ano e meio.
Chimi vai no carro em uma “cadeirinha” especial para animais, que parece uma espécie de cesta presa no banco de trás. “No início ele não gostava, mas agora já se acostumou. É uma bagunça danada no carro”, conta Hilas.

O Lulu já conheceu cidades como Angra dos Reis, Teresópolis e Búzios. Em breve, seu filhote de três meses, Boo, deve se unir ao grupo.

Para Hilas, o segredo para aproveitar uma viagem com animais de estimação é ir preparado para um programa diferente. “Quando viajamos sem ele, é um momento nosso, de curtir o casal. Mas quando ele vai, a proposta é curtir estar com ele”, afirma.

Alguns cuidados podem reduzir o risco de ter a mala extraviada ou violada. Saiba também como agir depois que o problema ocorre.

Chegar ao destino e descobrir que a mala não veio – ou voltar para casa e constatar que os presentes comprados no exterior foram furtados no caminho – são surpresas que podem estragar qualquer viagem.
“Acontece toda hora, com passageiros de qualquer classe: executiva, econômica... A pessoa chega em casa e encontra as caixas de eletrônicos vazias, ou nem consegue passar na alfândega em Guarulhos, pois a bagagem não chega”, diz a advogada Luciana Atheniense, especialista em direito do turismo e responsável pelo site Viajando Direito.
Apesar de todos os viajantes estarem sujeitos a esses transtornos, Luciana afirma que é possível minimizar os riscos de que eles aconteçam. A seguir, confira dicas que podem reduzir a possibilidade de frustrações na ida e na volta:

Para se prevenir
- Identifique bem a mala, informando nome, endereço e telefone. Faça isso não só por fora, mas também por dentro, pois a etiqueta que fica na alça pode rasgar ou cair.

- Coloque fitas coloridas (curtas, para que não prendam na esteira) ou adesivos que ajudem a reconhecer a bagagem. Muitas malas são parecidas, e é comum que os passageiros se confundam.

- Durante o check-in, verifique se a mala foi etiquetada pelo atendente para o destino final. Evite chegar em cima da hora. Quando o check-in é feito com muita rapidez, aumenta a chance de confusões.
- Guarde bem o ticket de bagagem. Ele será a garantia se algo acontecer com a mala.

- Não despache dinheiro e objetos de valor. Procure leva-los na bagagem de mão. Além de eletrônicos e joias, brinquedos, bolsas e perfumes importados costumam ser alvo quando a mala é violada.
- Uma dica para quando for despachar produtos de valor é fotografá-los já acondicionados na mala. Isso ajudará a comprovar o valor da bagagem caso haja algum problema.
- Quando fizer compras no exterior, guarde as notas fiscais e leve-as na bagagem de mão. Isso ajudará a comprovar o valor dos objetos caso eles sejam furtados ou extraviados. O comprovante do cartão de crédito também ajuda a declarar o preço.
- Se possível, prefira voos sem conexões. A chance de que a mala se extravie é maior quando há troca de avião.

- Coloque uma muda de roupa e objetos de primeira necessidade na bagagem de mão. Isso ajuda a passar o dia quando a mala não chega e é enviada horas depois.

Para remediar
- Se a mala não chegar ou estiver danificada, procure um funcionário da companhia aérea preferencialmente no próprio aeroporto, ainda na sala de desembarque, e registre o ocorrido no Registro de Irregularidade de Bagagem (RIB). É preciso apresentar o ticket da bagagem, mas não deixe esse comprovante com a companhia aérea: apenas informe o número da mala que foi extraviada ou danificada.
- Muitas empresas nacionais se negam a permitir o preenchimento do RIB quando o voo é compartilhado com outra empresa internacional (ou quando, após o extravio da bagagem, a mala é entregue na casa da pessoa por uma empresa terceirizada). Normalmente, a companhia apenas informa ao passageiro que sua queixa foi inserida no “registro interno” da empresa. Segundo Luciana Atheniense, essa negativa é infundada. Se isso acontecer, ela aconselha registrar um boletim de ocorrência, além de enviar uma mensagem eletrônica à Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) e às duas empresas aéreas envolvidas (a nacional e a internacional).
- Em caso de extravio, a companhia aérea deve localizar a bagagem e enviá-la ao endereço informado pelo passageiro.

- Se a mala tiver sido violada ou algum objeto houver sido furtado, faça um boletim de ocorrência na polícia. Nele, devem constar o número do voo e do ticket bagagem e a lista dos produtos que foram retirados.

- Se descobrir que faltam objetos na mala apenas ao chegar em casa, evite relatar os fatos à companhia aérea somente por telefone. Escrever um e-mail formaliza a questão, e a mensagem pode ser usada como uma prova documental se o caso for à Justiça.

- No exterior, muitas companhias aéreas reembolsam o passageiro pelos gastos que ele teve para cobrir itens de primeira necessidade enquanto a mala não chega. No Brasil, é mais difícil isso acontecer espontaneamente. Se a empresa não oferecer essa assistência, guarde os recibos desses gastos para pedir ressarcimento depois, na Justiça.

- Se a mala for perdida ou violada, pode ser pedida uma compensação na Justiça não somente por danos materiais, mas também por danos morais. “No momento que compra a passagem, o consumidor não quer só ser transportado. Ele confia que vai ser transportado com segurança. Ficar sem a mala no momento em que mais se precisa dela, mesmo que seja por poucos dias, pode ser uma enorme frustração”, afirma Luciana Atheniense.

Fonte: http://g1.globo.com/turismo-e-viagem/noticia/2012/11/veja-dicas-para-evitar-transtornos-com-bagagem-em-viagens-de-aviao.html